Coxa mecânica!

Março 3, 2012

Professor Zê

Tudo que é baseado na mente criativa dos dirigentes coxa-brancas assume proporções magistrais. Em sua última grande viagem, os cartolas do verdão estão confiantes que descobriram um modo de construir estádio nunca antes visto no Brasil: uma Arena multiuso. O grande parceiro, é claro, será um investidor estrangeiro. Holandês, mais especificamente. Um amigo pessoal, conselheiro do clube, segredou-me que Ximenes e companhia querem dar o prazer ao seus torcedores de poderem gritar: “Fomos multiuso primeiro!”.

A melhor impressão parece ter sido com a relva plantada do estádio. Pelo que dizem, deixará os jogadores com fome de bola. “Muito pura, verdinha, fácil de manusear. Dá leveza e alegria no mínimo contato com ela. É como se a gente flutuasse!”. Perguntei sobre a possibilidade de uma parceria já estar firmada. “A gente deixou uns papéis com eles, mas ainda não pegamos de volta. Tenho fé que vamos fazer isso logo, logo!”. Papel é para coisas mais cotidianas, meu amigo! Um negócio desse porte deveria é ser fechado com seda!

Brincando de Sherlock Holmes, tentei entender o processo dessa parceria. Hoje, tenho para mim que parte do acordo foi facilitada pela opção da inclusão do laranja como primeira cor do uniforme um do time. Dizem que a Holanda, vice-campeã, gostou da homenagem da máquina comandada pelo Tcheco que, entre os adeptos, tem ganhado o apelido de “coxa mecânica”. Nada como angariar a simpatia internacional de modo tão original…

 Multicoxa

Mas essa ação de trazer os costumes holandeses para o planejamento coxa não foi uma ação isolada. Alguns dizem nos bastidores que o prefixo “multi” vai ser o carro-chefe das próximas ações de marketing do coxa. Vem por aí uma campanha que irá transformar o Estado do Paraná em um representante nacional de outro nível. A busca por uma inédita Arena multiuso na América Latina poderá granjear ao estádio do Coritiba a alcunha de primeiro e verdadeiro Monumental do continente. Mas é só um dos grandes passos de Vilson e seus visionários.

A grande verdade é que o time pode até entrar no Guinness Book como o time mais “multi” do mundo. Esse é o grande foco do momento. A começar pelos seus variados hinos. Mesmo já tendo três, rumores dizem que a ideia é fechar 2012 com alguns a mais – um para cara cor presente no uniforme. Aliás, os novos marketeiros parecem também explorar o conceito do “multi” nas cores do verdão. Do tradicional uniforme preto e branco com detalhes verdes, passaram a explorar o belo e caloroso laranja. Isso, nunca esquecendo do tradicional cinza do meião. Lilás, bege e azul turquesa são as próximas cores em pauta, adiantou-me um influente cartola. Fiquemos atentos à coleção outono-inverno, pois.

Arena multiuso, clube multi-hinos, bandeira multicolor. COnseguindo um novo recorde, serão não só o clube mais vitorioso do mundo como o primeiro multivitorioso a ter mais de um registro no respeitado Guinness. Já pensaram no impacto que isso terá para toda nossa população?

E o Paraná Clube?

Repito a pergunta com que fechei minha última coluna. Mas agora com uma resposta. Além de ter começado com o pé direto o ano (afinal, goleadas em começo de campeonato são para poucos. O CAP, por exemplo, começou o paranaense com uma vitória magra em casa contra um desentrosado Londrina), mostrou a grandeza que o clube da baixada tem evitado. Cedeu, em prol do nosso Estado, a simpática Vila Capanema para o irmão da capital. Teve o tricolor que colocar um ponto final nessa história de descasos e picuinhas protagonizadas pelo rubro-negro.

(Professor Zê é Bicho do Paraná.  Nasceu bebendo leitE quentE, passou a adolescência comendo vina e levando seu penal para todo lugar, pois nunca deixou de estudar. Hoje, consolidado em sua área, carrega suas origens como uma mãe zelosa cuida de seu filho. Catedrático bem conhecido em todo o perímetro paranaense, apaixonado pelo contexto esportivo local e pelas cores da bandeira de nosso estado, faz questão de levar nossos grandes nomes e cânones em suas constantes palestras internacionais).

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Lá vem o CAP…

Fevereiro 2, 2012

Professor Zê

…CAP aqui CAP acolá. Lá vem o CAP para ver o que é que há.

Bem, antes de tudo, um bom ano para todos nós. Aproveitei o período de festividades para dar uma recarregada nas baterias. Nada que a energia da água do mar de Guaratuba não resolva. Como se não bastasse, exercitei-me com cotidianos passeinhos na Avenida, tomei vários sucos no prédio redondo e enfrentei o Ferry-Boat para visitar meus parentes em Caiobá. Ainda não distribuí as lembrancinhas de madeira, tecido e conchas que comprei perto da Igreja – é muita coisa e têm algumas malas a serem desfeitas. Ou seja, mais um ano que passa e se, no ano novo, a esperança que temos é de que algo mude, parece que nas férias de janeiro já notamos que tudo continua igual.  Por isso carimbei tal curioso título em minha coluna.

No futebol, pois, o Atlético, não estando cansado de protagonizar vexames em 2011, continua aprontando das suas, agora no desconforto da segunda divisão. Truculência é aquilo que define tudo que sai daquele lado. Em vez de sustentar uma política de boa vizinhança com os outros paranaenses, o clube da Baixada mostra, pintando o caneco, ser o clube das baixezas. Surrando a galinha, obriga o Coritiba a ceder estádio via judiciário, clube que era contra a vinda da Copa. Batendo no marreco, fica de bravatas com o presidente do Paraná, via site oficial. Pulando no poleiro, acaba jogando no Ecoestádio em vez de pagar valores justos aos coirmãos da capital. No pé do cavalo, pois, não fica. Levou um coice da liminar. Criou um galo na consciência.

Comeu um pedaço não só de jenipapo, mas dos recursos que iriam para escola, saúde, educação e investimentos em nossa sociedade, via IPTU. Ficou engasgado com a resistência de honestos paranaenses, que entoaram todos os seus hinos gloriosos contra as injustiças. E a dor no papo só aumentava de tanto gargantear que estavam pensando no futebol do Estado, quando, na verdade, queriam garantir uma renda extra para competir com o Coritiba – time que ficou muito mais rico, honestamente, graças a uma negociação genial com a Globo de direitos de transmissão cujos valores crescem exponencialmente.

Caiu no poço de suas tramoias direto para uma divisão inferior, mas ainda assim não quis reconhecer que a grandeza de seu irmão, que pegou de volta o papel de time da Elite do brasileiro, merecia um apreço e uma consideração pelo seu tremendo estádio. Quebrou a tigela de recursos reais para nossa sociedade quando, fazendo tantas o moço, conseguiu afastar todos os investidores estrangeiros de nosso Estado. Por pura politicagem, nossos supostos representantes apoiaram o projeto da Arena e ignoraram todos os outros 302 projetos encabeçados pelo vovô Coxa. Quais as chances de isso acontecer se as cartas não estivessem marcadas?

Agora é saber se nossa história acaba com a mesma justiça que a música. Chegará a panela?

E o Paraná Clube?

Não é uma pergunta retórica. Acho que estou desinformado mesmo. E o Paraná Clube?

(Professor Zê é Bicho do Paraná.  Nasceu bebendo leitE quentE, passou a adolescência comendo vina e levando seu penal para todo lugar, pois nunca deixou de estudar. Hoje, consolidado em sua área, carrega suas origens como uma mãe zelosa cuida de seu filho. Catedrático bem conhecido em todo o perímetro paranaense, apaixonado pelo contexto esportivo local e pelas cores da bandeira de nosso estado, faz questão de levar nossos grandes nomes e cânones em suas constantes palestras internacionais).

Retorno às atividades

Janeiro 18, 2012

Luziano Micozzini

O Ano passou. Perdemos a batalha.

O Peru que comi na minha ceia de natal estava sem gosto. O champagne escolhido a dedo direto da frança parecia estar com Jet lag. No réveillon, meu papel picado pouco animou meus convidados quando joguei pra cima. Meus fogos de artifício mal fizeram barulho. E a culpa não foi da chuva.

Perdi as esperanças do nosso maravilhoso estado após perceber que a FPF estava de conluio com tal agremiação. Nos fizeram de bobo. O curitibano de bem, tradicional, que lutou todo esse tempo pela isonomia fora apunhalado pelas costas por aqueles que pensam apenas nos seus bolsos, e pior, com nossos impostos.

É muito difícil pensar no que será do nosso futebol.

Futebol este que não consegue se desenvolver graças à decisões absurdas como esta de trazer o Clube atlético paranaense para jogar no Major Antônio. Que culpa tem o Coritiba do atlético reformar seu estádio pra copa? Que culpa tem o torcedor alviverde de ter que ceder seu espaço para o torcedor que luta contra o crescimento do futebol paranaense?

Ficará no anal da história de nosso futebol, esse episódio lamentável onde um clube em crise, em decadência, sem estádio, pede para a federação acudi-lo, e esta atende fervorosamente o pedido.

Uma vergonha.

O Ano passou. Perdemos a batalha.

Mas a guerra continua. O amor por nosso estado e nosso dinheirinho só aumenta. E não será um clube sem estádio e na segunda divisão que irá ofuscar meu orgulho de ser paranaense.

Tive orgulho de morar na cidade onde teve um movimento tão bonito para expressar de maneira pacífica o descontentamento com a decisão da FPF. Com a paz e com o grito do torcedor, foi possível mostrar que existem pessoas que estão vendo realmente o que está acontecendo. São essas iniciativas que fazem termos orgulho do trabalho que estamos fazendo nesse espaço.

Conversando com meus colegas, principalmente o Professor Zê, chegamos à mesma conclusão.

A imprensa fecha o olho, mas o verdadeiro paranaense não. Nada é escondido daquele que vê o que acontece. E é por isso que escrevo aqui.

O ano passou. Perdemos a batalha.

Mas não podemos parar. Esse espaço tem a isonomia do seu lado. E continuará expondo o ridículo sempre que possível.

(Curitibano da gema, com descendência italiana. Apaixonado por uma época que não volta mais do futebol paranaense, atualmente dedica seu tempo a descobrir a melhor harmonia do vinho que toma com cada refeição. Com amigos mais do que especiais, e nunca distante do que acontece na imprensa e no nosso esporte, Luziano, a convite do professor Zelindo, não conseguiu recusar em  participar deste novo projeto que combate a visão distorcida que está traçando o  futuro do Futebol paranaense.)

O Investidor é nosso

Novembro 11, 2011

Professor Zê

Já dizia aquela música:

“A taça do mundo é nossa
Com brasileiro não há quem possa”

Se eu fosse dado a esse lado mais carnavalesco do esporte bretão, sairia pelas ruas entoando nova marcha:

“O investidor é nosso
Com brasileiro não há quem possa
E-eta chance de ouro
A Petrobrás é nosso tesouro”

É certo que os investidores estrangeiros parecem andar um tanto ressabiados com as constantes atitudes danosas protagonizadas pelos homens fortes da Baixada. Mas trapaças e armadilhas não desencorajam o cidadão de bem. São obstáculos que o fortalecem, aliás. De nada adiantou interesses repentinos e obscuros aliarem Cury, rubro-negros e demais detratores do estado contra o verdadeiro projeto da Copa no Paraná. Aqueles que pensam no Brasil, que pensam no nosso estado não desistem nunca de honrar nosso sacrossanto IPTU.

Assim é que a nacionalíssima Petrobrás assumiu a postura de gente grande que tanto esperamos de nossas instituições e autoridades: um novo Monumental será erguido. Avizinhado com a REPAR, seus jogos prometem ser explosivos como nunca. Terá tantos anéis que não demorarão para chamá-lo de Saturnão. Ecologicamente correto, terá fosso com sistema de reaproveitamento de papéis lançados. O método manual de pegá-los de volta está com os dias contados! E passarinhos verdes andam contando que as parcerias desse projeto serão capazes de transformar a área do Couto em um novo Hospital de ponta e no primeiro grande centro especializado em lipoaspiração ocular – demanda bastante alta nos arredores do bairro. Toda essa parafernália será resguardada por um cinturão de sobrados que movimentará a economia do Coritiba nesses novos tempos, mostrando que quem é verdadeiramente empreendedor anda com as próprias pernas. Um verdadeiro legado para nossa capital! Por isso, falemos de coisas boas hoje.

Vou contar uma agora que é do tempo em que se só se tomava refrigerante em dia de aniversário. Do tempo em que só coxas verdadeiramente brancas eram permitidas no – naquela época chamado – escrete do Coritiba. Criança peralta e ousada que era, queria desbravar o mundo. Aos quatro anos, pedi um atlas para meu pai. Não pude receber. Aos seis, meu melhor amigo era um globo terrestre da maior qualidade, mimo de Evangelino, um padrinho mais afastado. Aos nove, estimulado por tantas maravilhas geográficas, insisti para meu pai em viajar para conhecer novos lugares. Foi então que começou a aventura que chamávamos de “Excursão dos Pessoas”!

Na primeira e mais marcante aventura, fomos conhecer a unidade de processamento de Xisto da Petrobrás, em São Mateus do Sul. Em uma visita monitorada, víamos, maravilhados, a grandeza de que o brasileiro – e o paranaense – é capaz. Minhas pernas eram ainda miúdas. Segurava meu irmão pela mão – recordo-me dele, ainda pitoco, ficando até com torcicolo de tanto olhar para cima! Eu pouco entendia o que o moço falava. Mas lembro de sua fala rápida, de suas bochechas grandes, rosadas, suando. No final, no entanto, uma frase me marcou: “Petrobrás tem o toque de Midas: onde encosta o dedo, faz ouro.” Eu, que tinha acabado de aprender sobre Midas arregalei os olhos. No que viu meu espanto, continuou. “Sabe por quê?” Ele olhou bem nos meus olhos e falou: “Só brasileiro para tratar brasileiro com isonomia!” Frases que até hoje trago em meu peito. E que, na conjuntura de nosso futebol, soam até como profecia!

Pois é. Por meio de meu glorioso globo terrestre e da “Excursão dos Pessoas” formei grande parte de meu caráter.

Aprendi a amar as viagens – seja para “o estrangeiro”, seja para a acolhedora Joinville – tão presentes em minha rotina quase nômade. Todavia, aprendi, também, a amar o que é da nossa terra. Dessa forma, por vezes fico a pensar que Evangelino, aquele meu padrinho distante, foi quem me iniciou na vida, mesmo sem saber. Padrinho cujo registro final, infelizmente, é de um tristonho choro nesse milênio trágico para o futebol local. Mas falemos de coisas boas, conforme prometido! Hoje, folgo em saber que Evangelino celebra mais essa conquista histórica lá do alvo céu. E suas lágrimas de alegria são tão salgadas quanto o venerável suor que pinga das paredes do monumental Couto Pereira: ponto de partida dessa guinada rumo à vitória. vitória nossa, do Estado do Paraná.

(Professor Zê é Bicho do Paraná.  Nasceu bebendo leitE quentE, passou a adolescência comendo vina e levando seu penal para todo lugar, pois nunca deixou de estudar. Hoje, consolidado em sua área, carrega suas origens como uma mãe zelosa cuida de seu filho. Catedrático bem conhecido em todo o perímetro paranaense, apaixonado pelo contexto esportivo local e pelas cores da bandeira de nosso estado, faz questão de levar nossos grandes nomes e cânones em suas constantes palestras internacionais).

A redação

O ano de 2011 parece não ser grande o suficiente para conter todas as trapalhadas rubro-negras. Após uma rodada onde o Atlético Goianiense perdeu em plena Arena, marginais viciados atleticanos invadiram o prédio da reitoria da UFPR reivindicando, entre outras coisas, o financiamento do seu estádio com dinheiro do IPTU. “Vamos vandalizar tudo aqui, tá ligado, se não financiarem essa porra ae com dinheiro do povo. ESTÁDIO DE GRAÇA! VIVA LA REVOLUCION!!!!” – bradou o líder dos marginais.

Maconheiros atleticanos sem neurônio invadem reitoria da UFPR

O reitor da UFPR, professor Zelindo Pessoa, manifestou-se contra o movimento nesta terça-feira: “para intelectuais que, como eu, lutam pela isonomia e pelo correto investimento do suado dinheiro do povo, é vergonhoso ver marginalizados como esses cidadãos tomando de assalto um prédio público com um interesse tão mesquinho.” – reclama o reitor. “Deviam seguir o exemplo ordeiro das torcidas do Coritiba, sempre pacífica em seus protestos, e da torcida do Paraná Clube também – pra ser justo e isonômico – que nunca fez mal a ninguém e mal vai ao estádio para não causar muita confusão.” – finaliza.

Notícias relacionadas:

– Atlético pode perder 50 mandos de jogo por invasão da reitoria

– Devido à experiência com torcedores primatas, comando da PM escolhe policial que apanhou no Couto Pereira para liderar ação de evasão da reitoria

Com a possibilidade de perder 50 mandos de campo, o Atlético mirou na cidade que poderia abrigar seus jogos, que seria Joinville, mostrando definitivamente que o Coritiba está anos à frente do rival, que apenas se limita em imitá-lo. A prefeitura de Joinville, porém, já desloca cavalaria, exército, marinha, aeronáutica e prepara 4 ogivas nucleares para evitar que Atlético sequer cogite a possibilidade de jogar na cidade que já foi palco dos espetáculos alviverdes. “Estamos acostumados com a pacificidade da torcida do Coritiba, que além de tudo é ordeira e, quando atira um simples papel no chão, o recolhe de volta, pensando no bem da cidade.” – diz o prefeito da cidade.

Professor Zê

Notícias quentinhas feito pão d’água fresco recentemente alegraram minha manhã: os paranaenses Trevisan e Laurentino Gomes foram agraciados com o Prêmio Jabuti, principal prêmio literário do País. Além deles, também venceu José Castello, que reside no estado há 17 anos. Ah, mas que belas realizações! Em âmbito nacional, uma página de orgulhos tingida com o verde-araucária de nossa bandeira! Isso, certamente, faz parte da história que queremos para o nosso Paraná. E podemos nos perguntar: e em outras áreas? E no futebol? Qual história queremos?

O tricolor, por exemplo, é parte querida de nossa história. É nosso folclore, nosso charme. Une as pessoas, tal como um dia se uniram Britânia, Ferroviário, Pinheiros e tantos outros. Gralhas-azuis, araucárias… sempre um bom assunto para confrades em jantar.

E o Coritiba? Conquistou um feito ainda maior que o dos notórios literatos: se aqueles granjearam honroso mas nacionalmente limitado reconhecimento, o time da Fita Azul nos surpreendeu com um recorde que reverberará pelos quatro cantos do planetinha. Civis na Líbia, idosas australianas ou nômades ciganos ouvirão, todos, o retumbar dos hinos alviverdes. E, ao avistarem um calção preto, todos se lembrarão do clube (e do nosso estado!). Afinal, com seu recorde de vitórias, o coxa sentou mundialmente em um merecido trono. Trono que compartilha apenas com seres de igual mérito e notoriedade: como o porquinho Oscar, do Texas, registrado como o mais velho do mundo; como o suiço Jean-Francois Vernetti, por sua coleção com 11.111 cartões de “Não perturbe” de diferentes hotéis.

Agora o Atlético… campeão das trapalhadas. Dos destrutivos em potencial. Da desapropriação de idosos vulneráveis. Dos conluios com Hélio Cury para prejudicar seu co-irmão e monopolizar a tutela da Copa da Vergonha. E, com o monopólio conseguido por meios escusos (informação dada por conselheiros de um time da capital), tornou-se também campeão também da lentidão em obras. É o que este blog apurou dia 20/10. As imagens publicadas não mentem: o que conseguiram fazer até agora? Um buraco tão pequeno que nem um mísero avestruz filhote de Onaireves conseguiria esconder ali sua cabeça! E temos vergonha alheia de sobra para motivar a pobre ave a praticar semelhante gesto. Infelizmente. Mas sem fiscalização, concorrência ou transparência, os vícios humanos se alojam. Não é mesmo, Furacão?

Todo esse papelão promovido por interesses obscuros é enorme! E digo mais: é um papelão tão pesado que nem mesmo um popstar e sua legião de fãs conseguiriam pegá-lo de volta! Alguém tinha dúvidas de que atitudes assim iriam tirar de nós a Copa das Confederações? Como bem disse a Gazeta do Povo, “nenhuma sede foi tão desprezada”. São esses tipos de recordes, rubro-negro, que devemos imprimir no Guinness da eternidade? 

Não deem mais a Copa aos interesses particulares de um clube! O caso é urgente e exige uma medida enérgica: deem ao investidor estrangeiro! A solução é ousada, mas recuperaria um delicado casamento. Aí sim, vocês verão quão largo e arrojado pode ser um buraco. Sob a batuta do ilustre Vilson, então, o rombo cresceria tanto que talvez erguesse novamente a caneta dos responsáveis pelo Guinness Book! E tudo feito pelas vias da honestidade, garantindo uma gloriosa Copa. Mas, para isso ocorrer, não podemos esquecer da pergunta: quais as histórias que queremos para nosso Paraná? Fica a reflexão.

(Professor Zê é Bicho do Paraná.  Nasceu bebendo leitE quentE, passou a adolescência comendo vina e levando seu penal para todo lugar, pois nunca deixou de estudar. Hoje, consolidado em sua área, carrega suas origens como uma mãe zelosa cuida de seu filho. Catedrático bem conhecido em todo o perímetro paranaense, apaixonado pelo contexto esportivo local e pelas cores da bandeira de nosso estado, faz questão de levar nossos grandes nomes e cânones em suas constantes palestras internacionais.)

Professor Zê

Professor Zê é Bicho do Paraná.  Nasceu bebendo leitE quentE, passou a adolescência comendo vina e levando seu penal para todo lugar, pois nunca deixou de estudar. Hoje, consolidado em sua área, carrega suas origens como uma mãe zelosa cuida de seu filho. Catedrático bem conhecido em todo o perímetro paranaense, apaixonado pelo contexto esportivo local e pelas cores da bandeira de nosso estado, faz questão de levar nossos grandes nomes e cânones em suas constantes palestras internacionais.

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.Eis que meus olhos ficam marejados quando me deparo com um oásis de sanidade na quinta comarca paranaense: o trabalho jornalístico sério e repleto de isonomia do presente veículo de comunicação. Uma proposta modesta em seu sentimento: discreta, não alardeia a própria qualidade e nem mendiga adeptos. Todavia, uma proposta grandiosa em sua realização: motivada pela ética e pela neutralidade, busca apenas o que é de melhor para o futebol paranaense e não se cala diante de destrutivos potenciais, referenciais e outros ais.

Afirmo categoricamente que, hoje, não há jornalismo mais sério no Paraná do que o que é feito no presente blog. Sem medo de desagradar gregos e troianos, fala o que deve ser dito e foge dos mitos e das respostas fáceis como poucos jornalistas têm feito. A Copa é um problema sério para nós desde o momento em que o Pinheirão, com sua grandeza e sua história foi deixado de lado. Desde que o projeto do Xingu não foi ouvido com a devida atenção e desde que nossos governantes sequer deram o incentivo adequado a outros tantos planos B, C, D, E, F, deixando tristonhas maquetes envelhecerem em esperançosas cartolinas. Com um incentivo, uma fundação voltada a novos arquitetos, talvez as maquetes pudessem ter sido feitas em isopor ou material de melhor qualidade. Ou talvez pudessem ser feitas em versões mais atualizadas de AutoCAD e com recursos mais coloridos. Ou com legendas mais interessantes. Coisas aparentemente simples, mas que chamariam a atenção de investidores estrangeiros mais rapidamente.

Mas não. O comodismo e a resignação, vícios do homem contemporâneo, prevaleceram. Investidores endinheirados tiveram pouco espaço para contribuir, já que os mensalões cuecais a que chamam convenientemente de potencial construtivo vão, como é notório, roubar 88% do nosso IPTU, dando 44% ao Petraglia, 20% ao Clube Atlético Paranaense e apenas o resto porcento a benfeitorias na praça Botelho. Isso é algo que todos que tem contatos com deputados ou com conselheiros de um certo clube (cujo nome vou omitir) sabem.

Outro dia me perguntaram: “Professor Zelindo (é razoavelmente sabido que este é meu nome, mas costumo suprimir o ‘lindo’ por um exercício de humildade cristã), é certo um dinheiro público ser aplicado em algo que é particular?”. Eu respondi que não. Investidor público deve patrocinar áreas públicas. Privadas são para outros tipos de investidores: como estrangeiros, como nacionais, como todo mundo que tem se aproximado de coxas-brancas com propostas sedutoras. Outro dia também me perguntaram: mas Professor, isso não é uma visão parcial? De forma nenhuma. Eu não sou movido pela paixão. Ou, pelo menos, trato todos com isonomia. Tenho cadeira na Arena, tenho direito a um espaço de cimento no Couto Pereira e não apenas sou sócio do tricolor como também não falto a uma Avalanche. O que quero é o bem do Estado.

O dilema a todos os justos, no momento, é o seguinte: deixarei meu IPTU em dia? Caso não, estaremos infringindo a lei, por mais válida que seja essa manifestação política. Caso sim, estaremos sendo vítimas de cabeças perversas, mas também algozes contra a isonomia. Minha decisão já foi tomada. Darei o mesmo valor que pago de IPTU, sem quaisquer restrições, às diretorias do Paraná Clube e do Coritiba. E deixarei que os investidores do Qatar façam o resto da justiça.

Quem quiser me ajudar nessa empreitada, basta entrar em contato, no blog, para depositar o dinheiro. Sei que a torcida que nunca abandona já deu mostras de organização nesse sentido, quando juntava fortunas para aquele inédito modo de comemorar com piscas. Entendo caso a torcida do Paraná tenha mais dificuldade, mas o que vale é a intenção. E é o mínimo que os atleticanos deveriam fazer para ter uma consciência menos suja. No fim, quem sabe não consigamos dignamente gritar: fomos isonômicos primeiro!?